sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Um país dentro do outro

Esta é a sensação nos primeiros passos caminhados por Barcelona na Espanha. Não, não .. calma. Tudo aqui é bem .. "espanhol" sim. Mas a língua (o catalão, uma mistura de francês, italiano e espanhol) e o orgulho do povo fazem um clima diferente do resto do país.


Após uma turbulenta chegada ao primeiro albergue escolhido desta viagem (uma intensa discussão em inglês, espanhol e português por uma cobrança indevida!), larguei tudo lá mesmo e saí para fazer o que mais gosto: caminhar. Cheguei à tarde na cidade e iniciei um tour - daqueles que você nunca sabe a hora em que realmente volta.

Daí cheguei logo ao primeiro ponto: a famosa "Las Ramblas", uma rua enorme que corta o centro com várias lojas e paradas curiosas como a "Plaça Reial" - projetada por Gaudí e adornada com palmeiras, é aqui que estão as discotecas e bares mais legais. Continuando a andança pela enorme rua, que tem uma infinidade de lojas e bancas, passo pela "Plaçca de la Boqueria" que tem um movimentado mercado e um pavimento de mosaico desenhado por Miró. Nesse dia, cansado de uma viagem e uma noite dormida no aeroporto, eu queria conhecer o máximo possível de lugares, mas antes dei um corte radical no cabelo (!!) num cabelereiro moderno (uma viagem desse porte pede o máximo de facilidades). Esse dis foi dedicado a descobrir a "Cidade Antiga" onde estão a Catedral de Barcelona (em obras), Museu d'História de la Ciutat (foto 2), Arc del Triomf (aqui trambém tem!) e Parc de la Ciutadella (foto 3). Tenho que confessar que o calor não estava dando trégua e quando vi várias pessoas andando de bicicletas pelas ruas logo conclui que seria a melhor opção para se mover rapidamente sem se cansar. Barcelona é uma cidade perfeita para os ciclitas!
No dia seguinte um passeio pelos pontos mais famosos de Barcelona: as casas de Gaudí. Começando pela Casa Milà. Esta é sua mais famosa casa, desenhada numa estrutura de ondas e com terraço de chaminés e ventanas de esculturas abstratas ... lindo! nâo precisa nem dizer que o terraço é o mais interessante, por isso passei horas admirando aquela maluquice toda.

Pausa para o almoço, hora então de procurar um supermercado por perto. Fácil ! Esqueci de falar que estou na Passeig de Gràcia, uma avenida que é puro charme, no bairro de Eixample's. O almoço foi com esta visão da foto à esquerda, a Casa Terrades "Les Punxes" - contruída de uma rocha vermelha é um marco das construções góticas da Europa, muito procurada pelos turistas mas fechada à visitação.


Pra continuar peguei um metrô (um destaque desta moderna cidade) e parei bem perto em outra casa de Gaudí, Casa Batlló.

Esta impressionante construção de Gaudí ousa na arquitetura. Tudo aqui tem formas: as varandas que parecem caveiras, o corrimão da escada, a chaminé em forma de cogumelo, as janelas, e o mais famoso (também no terraço) "cóstas do dragão", foto ao lado esq. Um show de arquitetura em um prédio de 6 andares.







Continuando o passeio pelo bairro Eixample,neste dia bonito, fui em direção da Sagrada Família, também de Gaudí (a terceira foto que você vê na arte inicial lá encima deste blog). Nesta
construção, da igreja mais fora do convencional da Europa, Gaudí dedicou o resto de sua vida e por isso resolveu se mudar para lá até o fim de sua vida. A Igreja, hoje em eternas obras de revitalização, tem esculpida logo na entrada a representação da história de Cristo em 3 fases: Fé, esperança e Caridade. São horas para tentar entender, munido de um guia, o que significa cada parte desta complexa obra. Confesso que esta faxada da Sagrada Família me dá um certo nervoso: a impressão é a de que aquilo derreteu e tudo ficou daquele jeito.


São duas faxadas na verdade, atrás você tem a Faixada da Paixão, que conta a história de Cristo através de esculturas angulosas dando um aspecto sinistro. Sinistro, esta é a palavra que define esta famosa e complexa Igreja em Barcelona.

Pra frente, já anoitecendo, fui indicado a conhecer o "Hospital de la Santa Creu i de Sant Pau". Mas conhecer hospital ? Sim ! Este é super interessante mesmo. Sua inovação fica por conta de 26 pavilhões estilo Mudejár (meio Gaudí) distribuídos em largos jardins. Mas cadê aquele ambiente de hospital, com macas, médicos apressados e emergências fervendo? Lluis Domènech, autor da obra, pensou que os pacientes poderiam se recuperar melhor dentre ar fresco e árvores. Por isso colocou todo aquele ambiente de hospital no subsolo (e é verdade, eu fui ver). Cada pavilhão represta uma especialidade médica e têm cores diferentes. O resto do dia foi para ver Barcelona à noite .. mas lembre-se que estamos num terça-feira, nada ideal para badalar.


No dia seguinte dedicação total ao bairro de Montjuic. Tentei acordar cedo para aproveitar o máximo das várias atrações dessa parte da cidade. Comecei pegando um funiculaire da estação de metrô mais próxima(já falei que o metrô daqui é uma maravilha?) que então te leva a Montjuic (este bairro fica pra cima das montanhas). Chegando lá você tem a opção de pegar um teleférico para visitar um castelo, opção essa que eu nao ia perder mas deixei pra depois. Hora de visitar uma atração interessante "Poble Espanyol". Nesse lugar você tem réplicas de construções de várias partes da Espanha - você se sente caminhando pelo país ! E claro, lojinhas e restaurantes de cada parte do país. Uma lembrança de minhas andanças na Disney de Orlando, EUA - na Epcot Center você tem partezinhas de cada lugar do mundo.


Continuando por Montjuic é hora de visitar o Museu Miró! Uma grata surpresa. Sempre fui fã das obras desse artista e nesta Fundação você confere quanto ele era louco e inteligente. Ele desenvolveu um estilo surrealista de cores vivas e formas fantásticas! Miró admirava a arte e o modernismo Catalão e por isso passou muito do seu tempo aqui - também em Paris e principalmente em Mallorca. Adorei este lugar !

Próximo passo é pegar o teleférico para conferir o Castelo de Montjuic - aliás, pausa para uma importante anotação: neste bairro estão algumas obras deixadas pelas Olimpíadas de 1992, e no trajeto pude perceber o Estadio Olímpico de Montjuic - uma construção enorme. Após um medinho de altura e a vista de Barcelona do alto chego ao tal Castelo, decepcionante. Com uma vista feia para o porto da cidade, você tem a única opção de visitar alguns fortes. O lugar já foi prisão, casa real e hoje abriga um museu militar (chatíssimo !!). Valeu pelo teleférico.

Voltando a Cidade Antiga pra falar de uma das últimas visitas, e das mais importantes, o Museu Picasso. São cinco casas juntas em uma apertada rua (carrer Montcada) que abriga o Museu com várias obras de Picasso - passando por vários estilos de diferentes épocas. Vale a visita, claro. Porém Miró marcou mais.
Aliás, durante este longo post cheio de fotos, você deve ter notado bastante um detalhe: o nome das atrações e ruas desse lugar. Lembra que eu falei lá no início da sensação de estar em um país dentro de outro ? Muito disso por causa da complicada língua: o Catalão ! Esqueça o castelliano ! Estamos falando de algo totalmente oposto.
Mas sabe que lendo as propagandas, avisos e placas de informação, eu gostei muito desse idioma ! Uma estranha combinação de francês, italiano e espanhol pode ser interessante! Avenida é Avingunda; Praça é Plaça; Castelo é Castell e por aí vai.
Pra terminar e deixar Barcelona, pego um metrô de volta a Plaça d'Espanya (Montjuic), onde uma enorme fonte toma conta no cruzamento das ruas. Subindo você vê escadas rolantes, ao lada da Fonte Mágica, que te levam ao topo do Palácio Nacional. Lá de cima uma visão como esta da foto ao lado esq. Soube que nas quintas-feiras as fontes funcionam junto a um show de luzes. Mas não foi desta vez.
Tenho que correr agora porque ainda hoje volto ao albergue (que é longe daqui!) para pegar a bagagem e o trem para o aeroporto (mais uma noite!) para então embarcar amanhã com destino a Dublin na Irlanda !!! Nos vemos lá !

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