quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Prazer, Petrus Kaiadus!

Kalimera !!

A frase do título desta postagem (Bom Dia em port.) resume toda a sensação de conhecer a Grécia; ao chegar em Atenas eu concluo: já fui grego ! A identificação foi total, não precisava nem dizer.(ao lado Parthenon, Acropolis)

Saindo de Amsterdam tomo um vôo à Milão e de lá Atenas (escala de apenas uma hora). Foi um dia viajando, por isso o resto desse dia, já em Atenas, foi de descanso.

Por lá encontro uma amiga chamada Katerina (é bom ser recebido por uma pessoa amiga), e já começo a tomar ciência da complicada língua - por sorte Katerina fala inglês. Estamos nas proximidades do bairro Syntagma, um apartamento com uma linda visão para uma bela montanha - dessa vez nada de albergues, e você nem imagina como isso é bom!
Impossível deixar de reparar em alguns detalhes, como a felicidade dos gregos, a simpatia. Sempre solícitos! Lembram muito os brasileiros. O calor já me fez sentir em casa.

No dia seguinte (a noite foi em um confortável sofá) eu só queria conhecer mais e mais daquele lugar que já me chamou tanto a atenção de cara. Comecei pelo bairro Plaka, que fica nos arredores da Acrópole, no centro da cidade. Pelas ruas você encontra lojas e mais lojas que vendem de tudo (Londres que se cuide!) e coisas muito legais mesmo. Lá eu comprei esse chapéu de cowboy que deu o tom da minha passagem pela Grécia. Pausa para almoço ... do supermercado claro! Hora de experimentar algo da gastronomia local. Moussaka, com ervilhas e pão grego - tudo com um leve tempero típico daqui. Adorei !

Continuando o passeio através de um "trenzinho" que sai de Monastraki, no centro, e visita os principais pontos, em uma hora de duração. Mercado Antigo, Agora, Pnyka, Olympieion, o estádio antigo, Plaka, Sytagma e seus jardins, os famosos guardas vestidos com sapato de póm-póm! Tudo o que eu queria agora era subir em direção a Acrópole, o resto ficaria pra depois. A curiosidade era tanta. Tenho uma fantasia com Atenas e seu Parthenon, desde pequeno, assistindo ao desenho Cavaleiros do Zodíaco. É verdade! Tudo saiu daqui, a inspiração pra muita coisa que conhecemos hoje, veio daqui !
Como o Cristo, no Rio, a Acropolis pode ser vista de qualquer ponto no centro, e aí você vai se guiando para subir pelas ruas de Plaka até chegar lá. Quando chego, tenho só meia hora pra visitar (eles fecham no início da noite, uma pena). Templo de Athena Nike e O Pedestal de Agrippas estão logo na entrada. É mágico! Não há possibilidade de contar a emoção que senti, através das palavras. Parece que estava entrando em outra dimensão, para me juntar à história. Finalmente, chego ao Parthenon (o templo dedicado à Athena), contrução iniciada em 447 a.C. Não contive a emoção de estar ao lado daquela mágica toda. A estátua de Athena, que ficava dentro de Parthenon, hoje está no Museu da Acropolis, infelizmente fechado pra reformas. É impressionante perceber a conservação de uma construção como esta, mesmo após vários ataques pela história: bombas, poluição do ar etc. É preciso explicar que todas as construções estão em reforma atualmente, e por isso, andaimes cobrem partes das atrações. A foto ao lado mostra a visão de Atenas lá de cima. O resto do dia era de contemplação e reflexão.

No dia seguinte, hora de conhecer o Mercado Antigo conhecido como Agora. Um lugar de ruínas, muito importante na história; Em 600 a.C, Agora se tornou o coração da cidade, o centro das atividades políticas e religiosas. Muitos prédios aqui construídos, foram destuídos tempos depois durante a invasão Persa em 480 a.C. É muita história. O templo de Areos (foto ao lado) é o mais bem preservado monumento de Agora - por isso estava atrás justamente dele. Uma nova emoção marcou nosso encontro. Permito-me esta intimidade, pois mais uma vez me vejo entrando em um mundo de fantasias da Grécia Antiga (os Cavaleiros do Zodíaco ajudaram!). Ainda neste dia visito as ruínas de Romaiki Agora (quando Atenas estava sob invasão Romana).

Gastronomia

À noite, com um amigo grego, fomos a um típico restaurante. Ele me explica que este é um dos restaurantes à moda antiga deste lado da cidade, que preparam pratos típicos. Mais uma incursão pela gastronomia local: Uma sopa de carne de fígado, argh! Mando trocar por outra de batatas e frango, não muito boa. Eles comem tudo com o maior prazer !
No dia seguinte o almoço, com outro amigo grego, foi em outra parte da cidade (perto de Syntagma) na rua da feira local. Esta refeição me fez apaixonado pela comida grega: Moussaka (espécie de lasagna com beringelas, carne moída, batatas cozidas ao fundo e aquele tempero especial), charutinhos de folhas de uva, outro prato de beringela com carne moída (de carneiro parece). Meu amigo Panayotis, explica que a maioria dos pratos gregos, na verdade, são da Turquia (a Grécia ficou anos sob o poder deste país); Mas não ouse dizer isso a um grego !!
A bebida típica grega, o ouzo (pronuncia-se uzo), um destilado transparente de uva com anis, não experimentei, mas dizem ser boa.

Daí, fui deixado no museu mais importante de Atenas - dentre os vários por aqui - : Museu Arqueológico Nacional. A sensação ao entrar, seria a mesma daquela quando no Victoria and Albert Museum de Londres: não vai dar tempo de ver isso tudo!
Organizado cronologicamente, a coleção é realmente impressionante. Todas as descobertas feitas estão alí: as coleções pré-históricas, as estátuas, coleção de bronze, uma só de antiquidades egípcias... Percebe-se que nada é novidade, tudo foi inventado há séculos atrás.
Saio do museu e dou de cara com uma passeata ! Rua fechada; Descubro que alí vai acontecer mais tarde um comíssio com o atual presidente (estamos nas eleições da Grécia!).
Fui em direção a movimentada praça do Sytagma (onde há o Parlamento) para ver a agitação à noite, já me despedindo de Atenas (amanhã cedo estou de partida para a ilha de Mykonos, e quando retornar, já irei para o aeroporto).
Minha dica em relação à Atenas é ficar como uns cinco dias. Aproveite mais dessa cidade renovada após as Olimpíadas. Apaixonante !
Mykonos

Pela manhã, minha nova amiga grega Ana (um amooor) me leva ao porto de Rafina; De lá pego o barco em direção à Mykonos (4 horas de viagem). Uma viagem bonita, com direito a um pôr do sol motivante. Uma viagem também de reflexão: ontem estava em Dublin, hoje estou em um barco no meio do ocenao em direçao a uma ilha grega, veja o mapa .. que loucura !!

Chego à noite .. e surpresa! A amiga que iria me buscar não estava me esperando como combinado. E agora? Sento em um bar, ao lado do mar, com as bagagens e faço alguns contatos telefônicos. Porém, percebo que naquela hora (já 22h30) não iria mudar nada. Subo uma rua (não sei pra onde estou indo) e, meu senso de direção indica uma ruela como o caminho certo. Correto ! Lá encontro um cara que me pergunta se estou perdido. Respondo que um pouco e procuro hotel. Ele me indica um que seria barato. Lá, já 1h da manhã, descubro que Mykonos é cara. Caríssima! Uma das vantagens de ser jovem viajante é que as pessoas entendem que você não tem muito dinheiro; por isso o preço acaba caindo mesmo. Fiquei numa pensão ao lado da rua mais movimentada no centro da ilha !!!!! A noite foi de agito, claro (mesmo cansado).

No dia seguinte, estou de mudança para a casa daquela amiga grega, René (uma riponga alto astral). No caminho alugo uma scooter (sem nunca ter andando em uma!), este é o melhor jeito de conhecver a ilha ! A sensação de liberdade viria a seguir.


Já disse que estou a caminho de uma casa na rocha!? A René construiu anos atrás esta linda casa a partir de uma rocha. Pra chegar até lá, tem de passar o aeroporto, pegar uma estrada de terra e pronto. Parece fácil ? Se eu acrescentar que nõa há iluminação pra se chegar até lá à noite ? Hummmm ... Mas a experiência não poderia ter sido melhor, não trocaria por nada ! (na foto ao lado, meu quarto na rocha)

No dia seguinte vamos conhecer as praias ? A primeira é a Super Paradise (nesta acontecem aquelas grandes festas na areia que deixaram a ilha famosa). Também fui à Agrari Beach. Não preciso dizer que o cenário é paradisíaco - algo que não é bem captado pelas fotos. Para chegar a uma praia, sempre tinha que se descer o morro, a sensação de liberdade (perdido em uma ilha grega!) e a adrenalina foram ao limite.
Vento. Um problema a ser enfrentado nas ilhas da Grécia. O vento é tão tão forte, que consegue te tirar do lugar, e atarpalar um passeio (cancelei alguns por causa deste problema).

Em um tour pelo Centro, mais tarde, conheço mais da tradição de Mykonos (casinhas azuis e brancas) e fico encantado com aquele lugar. Um pouco de Búzios, do Rio de Janeiro, mas com um charme muito elegante. E uma confirmação: o lugar mais caro por onde passei nesta viagem.


Grego, a língua
Lembra das aulas de aritmética no colégio ? Alfa, beta, gama etc. Pois é. Na Grécia você finalmente faz uso desse conhecimento ao tentar decifrar o que está escrito por todo lugar. O drama pode chegar ao limite em um supermercado, ao tentar saber se determinado produto contém açúcar ou não, por exemplo. Mas é isso que torna uma viagem algo especial. Tentar penetrar em um mundo, uma cultura, que não é a sua, mas aos poucos acaba sendo. Com um esforço você acaba entendo algumas palavras.
Se deixar levar pelo diferente é o mais legal!

Música

Em Mykonos fiquei muito ligado no rádio e descobri na Grécia as estações mais legais. Tem de tudo. Se quiser pop americano tem. Rock, também. E música grega, aos montes. Essa viagem foi embalada à vários sucessos gregos, incluindo uma música Pop que estava estourando por lá e até agora não sei o nome. Descobrir o nome destas músicas ?? Difícil. Posso dizer que fiquei apaixonado por várias delas. Algumas canções eram tão egais, que eu esquecia a barreira da língua e cantarolava junto.

Hora de retornar

Atrasadíssimo!!!!!! Fui para o porto pegar o barco às 8h da manhã, mas acordamos encima da hora. Mais quase cinco horas de viagem e agora com destino ao aeroporto de Atenas. Mais tarde um vôo para Roma - me programei para conhecer Roma à noite (a cidade de dia eu já conheço). A sensação de que tudo está chegando ao fim é mais que evidente. Neste momento estou conectado com o resto do mundo ... pegar um avião para Fiji aqui não seria problema, só solução. Tema para o próximo e último post! Até lá!

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